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Entenda o que é o gargalo energético no Brasil

Entenda o que é o gargalo energético no Brasil

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Que o Brasil sofre com a crise da energia elétrica, não é novidade. Mas o que está por trás do gargalo energético que estamos enfrentando?

O que significa gargalo energético?

Gargalo energético é a dificuldade que o Brasil enfrenta em fornecer energia elétrica regularmente para a população e para os setores de serviços e indústrias. 

Atualmente, essa é uma preocupação que veio à tona para as autoridades e população brasileiras. Isto porque, assim como já aconteceu anteriormente, isso pode vir a se tornar um problema mais grave em breve.

O histórico das crises de energia

Crises energéticas são velhas conhecidas dos brasileiros que, desde o final da década de 1990, vêm sofrendo com as suas consequências. 

Seja pela falta de abastecimento ou pela alta nos preços da tarifa, não é de hoje que o Brasil enfrenta problemas relacionados à energia.

O que foi o apagão de 2001?

Uma notável falha no fornecimento de energia ocorreu em 2001. Naquele ano, o setor de abastecimento de eletricidade do Brasil beirava o colapso e coube ao governo buscar iniciativas para minimizar o impacto causado pelas secas que assolavam o país. A solução encontrada foi o corte programado e alternado de energia em 16 estados e no Distrito Federal. 

Além disso, durante os nove meses em que o plano esteve em vigor, houve também a redução da iluminação de prédios e espaços públicos, bem como a proibição de eventos sociais e esportivos durante a noite. 

Em 2001, o gargalo energético gerou racionamento e até cortes de energia para a população.

Assim, buscando reduzir o consumo de energia em 20%, o governo propôs uma meta de consumo energético e passou a aumentar a tarifa e até mesmo cortar, por alguns dias, o abastecimento de energia daqueles que não cumprissem com o teto estipulado.

Crise energética de 2015

Assim como em 2001, no ano de 2015, o Brasil sofreu novamente com uma crise energética. Dessa vez, o país passava por um período de severa estiagem e, como a maior parte da matriz energética brasileira depende da fonte hidráulica, a seca também impactou no abastecimento de energia elétrica. Além dos fatores da natureza, o setor teve seu investimento reduzido naquele ano, o que contribuiu para agravar o gargalo energético.

Matriz energética do Brasil em 2015. A fonte hidráulica representa 65,2% de todas as fontes de energia do Brasil.
Matriz energética do Brasil em 2015. A fonte hidráulica representa 65,2% de todas as fontes de energia do Brasil. Fonte: BALANCE, BRAZILIAN ENERGY. Balanço energético nacional. 2017.

Pensando reduzir tanto a dependência das usinas hidrelétricas quanto o racionamento de luz (como ocorreu em 2001), o governo contratou termelétricas para gerar energia a partir da queima de combustíveis fósseis que, além de poluir mais, é uma fonte que pode custar até oito vezes mais caro do que a primeira.

Aproveite e leia: Por quê você deve considerar a energia fotovoltaica para minimizar gastos e para colaborar com a sustentabilidade?

Dessa forma, a tarifa de energia passou a contar com as chamadas bandeiras verde, amarela e vermelha, que sinalizam ao consumidor a situação da produção de energia do país a fim de facilitar a adaptação do consumo à realidade daquele momento.

Com a bandeira verde, as condições são favoráveis e, com a vermelha, temos o pior cenário possível, sendo a bandeira amarela a responsável por indicar o meio termo. Portanto, com as bandeiras tarifárias, o consumidor passou a sentir no bolso os impactos da crise energética.

Após 2015, novos investimentos foram feitos a fim de reduzir a dependência da matriz energética da fonte hídrica. Entretanto, eles não foram suficientes para evitar uma nova crise energética, como a que estamos passando em 2021.

Gargalo energético atual

Quais as principais causas do gargalo energético?

O Brasil encontra-se em uma de suas maiores crises hídricas desde 1930, de acordo com o alerta emitido pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). Tendo isso como principal fato, nos últimos meses do ano de 2021 é possível verificar um preço cada vez mais elevado colocado nas contas dos usuários finais.  

O consumidor final deve ter os custos na ponta do lápis

Mas o gargalo energético já não é novidade em alguns lugares do país. Embora para o consumidor padrão, é sentido por uma das primeiras vezes, o problema é muito mais significativo quando observamos o fornecimento de energia elétrica para os agricultores de algumas regiões, como Sul e alguns pontos do Centro-Oeste brasileiro.

Por mais que a insuficiência hídrica seja uma causa, o gargalo também ocorre por má qualidade das linhas de rede elétrica. Muitos produtores, que dependem diretamente de quantidades elevadas de energia elétrica, precisam racionar ou até mesmo decidir qual tipo de equipamento podem ligar no momento.

O problema da rede elétrica é a desatualização

Embora pareça um problema que tem solução a curto prazo, é difícil compreender o tempo de solução da questão. Isso porque, apesar do problema estar sob contínuo monitoramento com novas linhas sendo construídas quase que diariamente, a demanda por fornecimento energético também cresce de forma constante. 

Quais as consequências da crise energética no Brasil?

Como consequência para este problema, podemos ver os impactos no setor agropecuário no Sul do país, onde o gargalo energético é mais intenso. Em vinte anos, o valor de produção na avicultura saltou de 1 bilhão de reais, para 15,5 bilhões.

Porém, os produtores estão enfrentando as dificuldades de uma rede extremamente limitada, a qual não tem recebido investimentos em proporções adequadas. Assim sendo, é muito possível que em menos de uma década, podemos receber um declínio na produção agrícola de diferentes regiões do país, por conta da falta de energia elétrica contínua.

O gargalo energético brasileiro, é um dos principais fatores que estagnam o crescimento

O que pode ser feito para amenizar a crise energética?

O problema do gargalo energético no Brasil tem fortes raízes crônicas. E, infelizmente, não alcançará minimização de uma hora para a outra, mas algumas atitudes que podem mitigar este problema são:

  1.   Investimento em diferentes formatos alternativos de captação de energia: energias renováveis como eólica e solar, captação por meio de fontes térmicas e outros formatos, são excelentes para suplementar a rede elétrica, já que cerca de 90% de nossa energia é oriunda de hidrelétricas e apenas 10% de outros modos alternativos de energia.

Mais de 90% da energia elétrica do Brasil vem de hidrelétricas

  1.   Melhorias na malha energética do país: muito de nossa rede elétrica tem problemas crônicos, oriunda de antes da metade do século XX ou logo após o meio dos anos 50, alguns estados, como o Sul e o Centro Oeste, sofrem cronicamente com dificuldade de expandir sua produção, devido ao escopo pouco desenvolvido de suas redes elétricas.

O outro formato, por fim, seria utilizar da preservação ativa de árvores e também de uso mais consciente de recursos hídricos. Dessa forma, seria possível uma constante expansão hidráulica, sem se preocupar a curto prazo, com o gargalo energético brasileiro. Além disso, seria possível crescer contribuindo com as ODS’s. Incrível, não?

A importância do setor energético para contornar a pandemia

Contornar a crise que foi gerada por conta da pandemia está diretamente associado com o crescimento industrial do país. Estamos falando de olhar para um ponto que nunca antes foi bem observado. E, principalmente, para o tema onde agora miram os investidores: as fontes de energia elétrica do Brasil.

Para contornar da melhor forma possível o desemprego massivo, tanto quanto a reabertura de novos tipos de comércios e outras modalidades empregatícias, o Brasil terá de se preparar, nos próximos anos, para um de seus maiores desafios: a rede elétrica. Como conseguir manter a constância, sem que a rede tenha gargalos?

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