Meio Ambiente e Vida Sustentável

As mudanças climáticas e a vulnerabilidade social

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Mudanças climáticas

O que são mudanças climáticas?

Atualmente uma das maiores preocupações do século são as mudanças climáticas e como elas podem impactar no futuro do planeta e da população que faz dela seu habitat.

A princípio, essas mudanças eram provenientes de eventos naturais, como por exemplo as variações do ciclo solar. Entretanto, desde 1800, as atividades humanas vêm sendo o principal fomentador das mudanças climáticas, principalmente em virtude das queimas de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás.  

Essas mudanças ocorrem continuamente como consequência das transformações nos padrões de temperatura e clima que ocorrem a longo prazo, podendo se apresentar de diversas maneiras:

  •  Alterações de temperatura;
  • Ondas de calor;
  • Alteração do nível do mar;
  • Degradação do solo;
  • Erupções vulcânicas;
  • Furacões, tornados e tsunamis;
  • Mudança nas placas tectônicas;
  • Entre outros.

O que tem sido feito para conter essas mudanças?

Devido às significativas mudanças climáticas que ocorreram nos últimos séculos, principalmente decorrentes da Revolução Industrial que impulsionou consideravelmente as emissões de gases do efeito estufa. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) nasceu em 1988, órgão das Nações Unidas de maior autoridade do mundo em ciência do clima.

É responsável por realizar avaliações a respeito das mudanças climáticas. Produz-se documentos relatando a atual situação do planeta, qual o papel do ser humano nas mudanças ocorridas e quais as perspectivas futuras para a situação.

As formulações de políticas internacionais utilizam como base as análises fornecidas nesses relatórios. No quarto relatório publicou-se uma das informações preocupantes, em 2007, informando que o aumento da temperatura em até 100 anos seria entre 1,8°C e 4°C. Já o sexto relatório informou que o mundo provavelmente atingirá ou excederá 1,5°C de aquecimento nas próximas duas décadas. Ambas análises apresentaram perspectivas de cenários catastróficos.

Pelas expectativas apresentadas pelo IPCC, se o mundo continuar no caminho de altas emissões de carbono (SSP5-8.5), a temperatura poderá subir 3,3°C – 5,7°C acima dos níveis pré-industriais no final do século. Para se ter uma noção do quão trágico seria esse cenário, o mundo não experimentou um aquecimento global de mais de 2,5°C nos últimos 3 milhões de anos.

 

Consequências das mudanças climáticas em populações vulneráveis

Podem-se elencar diversos impactos causados pelas mudanças climáticas, como: aumento de vetores de doenças devido ao aumento da temperatura; improdutividade agrícola levando a migração de pessoas do campo para a cidade; ocorrência de enchentes, deslizamento e alagamentos causando perdas econômicas e de vidas; alterações na fenologia das espécies de plantas e animais; dentre outros. 

As mudanças climáticas atingem a todos, mas não podemos negar que algumas populações são mais afetadas que outras. Segundo o relatório do IPCC de 2014, as populações com acesso precário a direitos básicos são as mais prejudicadas. Além disso, fatores como cor e raça, gênero e grupos populacionais tradicionais e específicos (GPTE) também contribuem para que a vulnerabilidade se acentue. Algumas dessas populações sofrem o fenômeno da dupla exposição. Este fenômeno é marcado quando um grupo, além de apresentar vulnerabilidade social, também está vulnerável às mudanças ambientais.

Populações de baixa renda

Segundo o Índice Global de Risco Climático (GCRI) da Germanwatch, oito dentre os dez países mais afetados pelos eventos climáticos extremos, do ano de 1998 a 2017, foram países em desenvolvimento, com renda baixa ou médio-baixa. Isso revela que as mudanças climáticas são um agravante da desigualdade social.

A população de baixa renda brasileira mora, em sua maioria, em locais de risco. Devido à falta de recursos financeiros, essas pessoas vão morar em áreas sujeitas a deslizamentos e enchentes, fenômenos que são agravados pelas mudanças climáticas. Além disso, muitas dessas moradias não apresentam acesso a saneamento básico e água limpa, favorecendo o aparecimento de condições necessárias para disseminação de doenças. Muitas dessas doenças, como cólera, dengue e leptospirose, são potencializadas quando um evento climático acontece. 

As mudanças climáticas agravam a desigualdade social existente. Pessoas que já vivem em situações adversas sofrem ainda mais com as mudanças do clima. E não precisamos ir muito longe para entender essa situação. As fortes chuvas que atingiram a cidade de Petrópolis-RJ, desde 15 de fevereiro de 2022, deixaram ao menos 171 mortos, 126 desaparecidos e 967 pessoas desalojadas ou desabrigadas, segundo a matéria da CNN Brasil

Você quer saber mais sobre a relação entre mudanças climáticas e saúde? Confira nosso texto sobre o assunto.

casas construídas em área de risco
Casas construídas em área de risco

Populações indígenas

Populações indígenas possuem seus costumes e tradições que estão diretamente relacionados com a terra onde vivem. Conhecem muito bem os ciclos sazonais anuais e interanuais e respeitam o ecossistema no qual vivem, preservando a biodiversidade da fauna e flora e dos ciclos hidrológicos. Além disso, promovem atividades para conter o desmatamento e manutenção do estoque de carbono florestal.

As populações indígenas possuem uma economia de subsistência, que permite a obtenção de alimentos e insumos para moradia, remédios e transporte. Assim, essas populações são consideradas como grupo de alta vulnerabilidade perante as mudanças climáticas. Por serem dependentes dos recursos oferecidos pelo meio ambiente, secas ou o aumento de chuvas, interferem diretamente na alimentação, moradia, e saúde dessas pessoas. 

Vulnerabilidade de cor e de gênero

Como dito anteriormente, fatores como cor e gênero também são agravantes para as populações de risco. Segundo a Folha, a diferença salarial entre brancos e negros não pode ser atribuída apenas a falta de oportunidade de estudo e formação. Cerca de 31% da população negra apresenta salário inferior quando comparado a uma pessoa branca com as mesmas capacitações profissionais. Essa realidade faz com que a população negra tenha menor poder aquisitivo, estando assim, mais vulneráveis às mudanças climáticas.

A população feminina, além da diferença salarial no meio corporativo, também enfrenta o maior impacto perante as mudanças climáticas. Segundo a UNFPA, em 2016, as mulheres que são responsáveis pela produção de alimento e coleta de água serão diretamente afetadas.

Quanto à população trans (travestis e transexuais), cerca de 72% não concluem o ensino médio. Devido a isso, não recebem boas oportunidades. Então, procuram soluções em subempregos ou na prostituição. Esses fatores são considerados agravantes, pois quando eventos climáticos atingem essa população, as consequências são bem maiores. 

 

Como resolver o problema?

Pode-se abordar a crise climática em duas vertentes. A primeira delas pelo olhar de mitigação, que consiste em estratégias e ações que buscam minimizar a emissão de gases de efeito estufa para o controle das mudanças climáticas. A segunda, do ponto de vista de adaptação, busca propor ações que minimizem os impactos nas populações vulneráveis.

Do ponto de vista da adaptação

As medidas de adaptação são voltadas à sociedade. Elencamos algumas possibilidades:

  • Capacitação para gerar autonomia financeira, incluindo na sociedade as populações vulneráveis dependentes de auxílios governamentais.
  • Promover o diálogo entre conhecimentos científicos e percepções das comunidades, a fim de construir planos de ação que atendam as populações locais.
  • Engajamento de organizações e adequação de infraestrutura permitindo que as pessoas reajam e se previnam de eventos extremos.
  • Abordagem da temática de mudança do clima a partir de projetos sociais, com o intuito de atingir as populações vulneráveis.
  • Políticas nacionais com ênfase em gestão ambiental, gestão territorial, fortalecimento da agricultura familiar, disponibilização de bancos e feiras de sementes, além de organização de empreendimentos comunitários.
  • Utilizar medidas de Adaptação Baseada em Ecossistemas (AbE), que visam auxiliar nas medidas adaptativas a partir do uso dos recursos da biodiversidade que o ecossistema oferece. 

Do ponto de vista da mitigação

  • Diminuir o desmatamento e plantar mudas

As árvores desempenham um papel muito importante no combate ao aquecimento global. Visto que são responsáveis por reter água da chuva, regular a umidade e, principalmente, capturar o gás carbônico.

O desmatamento acarreta em um impacto substancial no aquecimento global pois, além de captar gases do efeito estufa, são capazes de reduzir o efeito adverso sobre a temperatura.

Região desmatada comparada com uma com árvores
Região desmatada comparada com uma com árvores
  • Neutralização de carbono

A neutralização de carbono é uma técnica alternativa de abater as emissões dos gases do efeito estufa por meio da compensação dos altos índices de emissão de carbono através do plantio de árvores.

  • Economizar água

A água é um bem essencial. Portanto, é importante economizá-la para que seu acesso por parte de toda a população seja possibilitado. Atitudes simples como tomar banhos mais curtos e fechar a torneira ao escovar os dentes podem gerar uma economia de até 79 litros de água.

  • Não praticar queimadas

A prática das queimadas é responsável por toneladas de emissão de carbono. Além de CO2, o fogo deixa fuligem e carvão que, pela sua coloração escura, absorve muita luz e calor, o que impulsiona o aumento da temperatura.

Floresta em chamas
Floresta em chamas
  • Diminuir o uso de plástico

A fabricação do plástico se dá a partir do petróleo e, como consequência, ocorre muita emissão de carbono e gases de efeito estufa. Reduzir seu uso e realizar reciclagem podem ajudar a conter as mudanças climáticas.

  • Consumir produtos sustentáveis

Muitos produtos de higiene, alimentícios e de cosméticos, além de promoverem emissões de gases na sua produção, utilizam matéria-prima proveniente de desmatamento. Uma maneira de contornar essa situação é incentivar o comércio sustentável consumindo produtos florestais, de empresas com fortes políticas ambientais e desenvolvidos por comunidade indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

  • Utilizar biocombustíveis a combustíveis fósseis

A queima de combustíveis fósseis, segundo o relatório do Global Carbon Project de 2018, é responsável por uma emissão de carbono correspondente a 4,8 toneladas per capita.

Quando queimam combustíveis os carros também emitem gases de efeito estufa. Segundo o Instituto Akatu, a troca da utilização de automóveis pela caminhada por apenas cinco vezes na semana em percursos de até três quilômetros, consegue deter uma emissão de gases equivalente a 41 anos de produção de energia elétrica em uma casa domiciliar.

  • Reduzir o consumo de energia

A redução do consumo de energia reduz a demanda de recursos naturais responsáveis pelo fornecimento de água e luz. Uma dica é lavar o quintal ou calçadas com a água reaproveitada da lavagem de roupas. A utilização de lâmpadas LED durante o inverno é outra maneira de promover essa redução. Essa estação apresenta poucas chuvas e níveis baixos de água nas hidrelétricas. Isso leva um aumento na demanda, sendo necessária a utilização de usinas termelétricas que acabam por emitir mais gases na atmosfera. 

 

Como você e a Química Jr. podem ajudar o meio ambiente?

A neutralização de carbono é uma importante alternativa no combate às mudanças climáticas causadas por altos valores emissivos de poluentes, dentre eles o dióxido de carbono, através da utilização de um cálculo geral de emissão de carbono ou carbono equivalente (CO2e).

Na Química Júnior temos o Carbono Neutro, projeto que se baseia na estratégia de compensação de gás carbônico a partir da neutralização de todo o CO2 emitido por empresas e eventos, através do plantio de árvores, para compensar a emissão do dióxido de carbono.

Se você se interessou pelo nosso projeto, venha conversar com a gente! É só clicar aqui para saber mais sobre o Projeto Carbono Neutro.