Meio Ambiente e Vida Sustentável

Como a pandemia reafirmou a importância do tratamento da água

O Cenário de pandemia atual

 

O ano de 2020 e o início de 2021 foram extremamente atípicos para a população mundial. Desde o final do primeiro trimestre do ano passado, o planeta encontra-se numa situação pandêmica devido à doença altamente transmissível que o vírus Sars-Cov-2 causa nas pessoas. A doença pode agir de diversas formas nos seres humanos, sendo as mais graves quando ataca o sistema respiratório do infectado trazendo uma grande falta de ar e a impossibilidade de respirar sem a ajuda de equipamentos especializados, o que levou milhares de infectados ao óbito.

Dentro desse cenário vivenciado na atualidade, e principalmente pelo fato da transmissibilidade dessa doença ser muito alta, a maioria dos governos em todo o mundo adotaram por trazer medidas restritivas de circulação e isolamentos sociais. O intuito dessas medidas é minimizar o contato entre seres humanos, diminuindo assim as chances de contaminação entre os cidadãos que circulam pelas ruas e estabelecimentos de grandes, médias e pequenos centros urbanos.

Além disso, algumas das principais campanhas para que a infecção desse novo vírus não alcançasse taxas maiores de transmissibilidade, foram:

  • Obrigatoriedade do uso de máscaras em estabelecimentos e ambientes com mais pessoas presentes;
  • Incentivo à lavagem e higienização das mãos sempre que possível.
Lavar as mãos ajuda a prevenir a disseminação do coronavírus.

Essas medidas preventivas trouxeram alguns resultados positivos. No entanto, além de diversas pessoas não respeitarem ou participarem dessas iniciativas e tomarem atitudes contrárias à elas, há também aqueles que não possuem condições financeiras para arcar com materiais adequados para higiene. Mas não são apenas as condições financeiras que prejudicam essas populações mais carentes, visto que milhares de pessoas que moram em regiões periféricas, no Brasil, não desfrutam de saneamento básico, por falta de infraestrutura e investimento nessas áreas.

 

Saneamento básico e a disseminação de doenças

A falta de tratamento de água resulta na proliferação de doenças.

O saneamento básico, diferentemente do que muitos pensam, não é constituído apenas pelo tratamento de água. De acordo com o Professor Francisco José Piza, da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), o saneamento básico consiste em diversas atividades voltadas para a prevenção de danos ao meio ambiente e à saúde pública para garantir uma qualidade de vida para a população atendida. A falta de saneamento básico traz riscos à população, podendo contribuir para a proliferação de doenças, como o coronavírus, e privando esta de ter condições de uma vida digna, através da falta de abastecimento de água potável, por exemplo.

No Brasil, o saneamento básico é regulamentado pela Lei de número 11.445/207, a qual gera parâmetros para estabelecer o Plano Nacional de Saneamento Básico, conhecido como Plansab. A meta do planejamento era de abranger noventa por cento da população brasileira com água encanada e por cento da população com abastecimento de água potável, até o ano de 2033.

Observando os parâmetros oriundos do Plansab, é possível observar que os parâmetros abordados, que o plano busca resolver, ainda são considerados grandes problemas para a população brasileira. Segundo o Instituto Trata Brasil, em território nacional, mais de 30 milhões de cidadãos não possuem acesso a água tratada e mais de 95 milhões não possuem uma rede de coleta e tratamento de esgoto.

O saneamento básico, também é considerado como um dos principais indicadores de evolução social e bem estar pela OMS. De acordo com o censo demográfico de 2010, do IBGE, apenas 55,5% dos domicílios tem uma rede coletora de esgoto, o que entra diretamente em discordância com o objetivo 6, da Organização Mundial da Saúde, que diz “assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos”, como métrica até 2030.

Dentro da problemática de existir praticamente cinquenta por cento do país sem água encanada em seus domicílios, é possível perceber que o acesso a instruções em relação a como se higienizar, também é escasso. A falta de acesso ao tratamento de água para populações mais carentes acaba impactando na impossibilidade de cumprir uma das principais ações preventivas nessa pandemia: a de lavar as mãos. 

Considerando também a população que se encontra sem água tratada, também é possível verificar que não existe uma forma adequada de lavagem das mãos com água e sabão, por exemplo, pois a água pode estar contaminada com diversos microrganismos que podem causar infecções e doenças no consumidor. Tendo a água como um indicador de conforto e bem estar, tem-se como ver que as populações com escasso acesso, tanto a instrução, quanto a água potável, acabam sofrendo mais contra doenças contagiosas, como o vírus da COVID-19.

Infelizmente, após reavaliações do Plansab, o Brasil julga impossível efetivar os planos traçados para o ano de 2033, deixando assim, grande parte da população carente à deriva de planos escassos de municípios, que seguem com elevado grau de desinteresse em realizar alterações na qualidade de vida da população que se encontra com extrema dificuldade de angariar recursos, tanto para obter água potável, quanto para realizar a obtenção de água potável. 

 

Qual a melhor forma de armazenar água para consumo?

 

Outro tópico de suma importância, do qual precisa ser dito, é sobre como armazenar a água em residências e frascos, principalmente para consumo próprio e utilização em alimentos.A portaria de número 518/2004, estabelece que a água é apenas potável, quando tem parâmetros físicos, químicos e que não oferece risco de contaminação química, microbiológica ou radioativa para quem a utiliza. 

A Agência Nacional das Águas, conhecida como ANA, em seu estudo de abastecimento urbano de água, de 2010, mostra que o tratamento de água ocorre de forma mista, ou seja, por meio da captação de águas oriundas tanto de volumes superficiais e também como volumes subterrâneos, implicando em diferentes tipos de contaminação, das quais nem sempre são resolvidas em estações de tratamento de água e esgoto. 

Tendo em vista a grande dificuldade de gerar uma manutenção de bons resultados para tratar a água e esgoto, é necessário compreender o armazenamento interno da residência também, sendo que alguns cuidados precisam ser tomados. Caixas d’água precisam ser lavadas a cada seis meses, para verificar se existem objetos dentro da água, dos quais podem levar a complicações e riscos de saúde, a limpeza pode ser realizada com água sanitária e sabão neutro, de forma a eliminar microorganismos indesejados do sistema.

É muito necessário estar atento ao tipo de reservatório pelo qual é utilizado em sua residência. O Ministério da Saúde, possui uma cartilha, que dita a qualidade da água para o consumo humano e como realizar efetiva limpeza de tanques e reservatórios. Vale lembrar sempre que, as mesmas características de limpeza e sanitização também valem para copos, garrafas e outros recipientes que tenham água inserida ou reutilizada para consumo humano.

Com todos estes pontos levantados, é possível perceber que o tratamento de água tem uma importância gigantesca em nosso cotidiano, tanto por meio do consumo, como também para indicar segurança e conforto contra doenças e outros contaminantes que existem, de forma generalizada.

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